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Acadêmicos do trabalho

A presença de mestres e doutores ainda é pequena no mercado de trabalho. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), dos 155 mil especialistas formados em cursos stricto sensu, apenas 5% foram absorvidos por empresas. Na tentativa de reverter o quadro de baixo aproveitamento, o MCT, em conjunto com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), lançou no final do ano passado o edital Rhae - Pesquisador na Empresa, no valor de R$ 30 milhões. O objetivo é apoiar o emprego de pesquisadores mestres e doutores nas empresas, através de projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação.  

Os projetos têm custo de até R$ 300 mil e são desenvolvidos pela própria empresa e devem estar associados ao desenvolvimento tecnológico de produtos e processos para ampliar o aumento da competitividade. Foram realizadas duas rodadas de propostas e a próxima se encerra no dia 27 de agosto.  “O empregador gosta de quem estuda”, diz Lígia Nery da Silveira, vice-presidente de Capacitação Profissional da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS). Mas se gosta tanto, por que contrata tão poucos mestres e doutores?  

Primeiro porque os cursos são, por natureza, mais voltados à academia - os bolsistas, inclusive, são impedidos de trabalhar formalmente. “A tendência de quem faz é o desenvolvimento acadêmico, a orientação é para ensino e pesquisa no ensino superior”, diz a assessora para pós-graduação stricto sensu da Feevale, Juracy Assmann Saraiva. Juracy, no entanto, afirma que o cenário está mudando gradualmente. “Pouco a pouco está crescendo a inserção destes profissionais nas empresas, que estão percebendo o quão importante podem ser os estudos avançados nas áreas de conhecimento”, comenta.  

Vale lembrar que, se o profissional optou por uma formação stricto sensu, mas quer se manter no mercado de trabalho, é importante que continue trabalhando, mesmo durante o curso. “Não dá para abrir mão do trabalho. É preciso estudar e, ao mesmo tempo, trabalhar, conhecer o dia a dia, ‘sentir o cheiro’ da empresa. É preciso levar as duas coisas juntas”, avalia Lígia. “No olhar do mercado, já é um kit obrigatório ter graduação e pós-graduação, virou commodity. Então, se o profissional conseguir defender que ter um curso de origami é importante para ele e para a vaga que ele vai ocupar, funciona”, exagera.

Reforço no caixa para estudar

Ler muito, desvendar novos conhecimentos e redigir longos trabalhos acadêmicos normalmente não são os únicos desafios de quem busca um curso de pós-graduação, desde a especialização até o pós-doutorado. 

Além do esforço nos estudos, muitas vezes o acadêmico ainda precisa colocar a mão no bolso para custear o curso na universidade ou ainda contar com a ajuda financeira da família para se manter quando um projeto de pesquisa exige dedicação exclusiva. 

Para quem tem esse obstáculo pela frente, duas opções figuram como os principais caminhos para aliviar o peso dos estudos sobre a conta bancária: as bolsas científicas e os financiamentos do sistema bancário. 

As bolsas científicas são procuradas principalmente para viabilizar projetos de pesquisa para mestrado e doutorado, em que o desenvolvimento do projeto e as regras da instituição de ensino exigem dedicação exclusiva do pesquisador. Nesse caso, as bolsas têm papel fundamental para garantir os estudos, já que o acadêmico fica impedido de ter remuneração de sua atividade profissional. 

No Brasil, duas instituições lideram o processo de concessão dessas bolsas: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia. Nesses casos, normalmente o estudante recebe uma ajuda de custo mensal, paga pelo período previsto no projeto de pesquisa ou no edital apresentado pela instituição. Há também opções de bolsas para a realização de pesquisas em universidades do exterior. 

As bolsas normalmente são oferecidas conforme a sequência de editais publicados pelos órgãos, em que são indicadas novas bolsas e os perfis desejados, ou disponibilizadas por meio de programas de pós-graduação de universidades. 

Outra opção para quem busca a pós-graduação são as linhas de crédito oferecidas pelas instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander. Os empréstimos permitem quitar em até 60 meses as despesas de cursos de especialização, MBA, mestrado e doutorado. O prazo alongado permite aos profissionais aproveitar o eventual aumento na renda proporcionado pela qualificação para pagar o investimento no curso.

Pós e emprego? É possível

Diretora de operações da rede de restaurantes Burger King no Rio Grande do Sul e aluna do curso de MBA em Marketing da Escola Superior de Propaganda  e Marketing (ESPM) de Porto Alegre, a publicitária Christiane Taveira, 31 anos, conhece bem um dos principais desafios de quem busca qualificação profissional em uma pós-graduação: conciliar trabalho, família e estudos. 

A maratona semanal de Christiane inclui os cuidados com o filho Arthur, de 1 ano e nove meses, o comando das quatro lojas da rede no Estado e as aulas em três noites por semana. De quebra, uma ou duas vezes por mês ela ainda vai a São Paulo, já que também é diretora de marketing estratégico do grupo para as regiões Centro-Oeste, Sul e Minas Gerais. 

O acúmulo de atividades torna o tempo escasso na vida de Christiane, rotina que deve durar até a conclusão do curso na ESPM no final do ano. Até lá, a publicitária aposta na organização e na força de vontade para cumprir os papéis de empresária, estudante e mãe. A rotina, diz ela, é desgastante, mas vale a pena. “É cansativo, mas é bom sempre ter a cabeça se exercitando. Todo mundo deveria fazer uma pós-graduação”, diz a empresária goiana radicada em Porto Alegre há quatro anos, quando se tornou sócia da rede de restaurantes no Rio Grande do Sul e Paraná. 

Com praticamente toda a experiência profissional anterior restrita à atuação em agências de propaganda em Goiás, ela buscou na instituição gaúcha os conhecimentos sobre marketing aplicados no dia a dia da empresa. A iniciativa já vem trazendo dividendos. “Crescemos 30% de novembro até maio”, conta, destacando o avanço ocorrido desde que assumiu a gestão da empresa no Estado. 

Como tem os dias da semana e sábados ocupados com o trabalho nas lojas, Christiane dedica principalmente as noites em que não tem aulas para estudar e desenvolver os trabalhos propostos no curso, o que ainda permite guardar os domingos para curtir a família. Quando o cansaço bate, Christiane acredita que o segredo é recarregar as baterias lembrando da importância da atividade para o futuro profissional e de que se trata de período passageiro. “E também os resultados práticos vão motivando, mostrando que o curso é bom pra mim e para a empresa”, explica. 

A conclusão do MBA, entretanto, não deve marcar o fim da experiência de Christiane como estudante-empresária. Terminada a especialização, a empresária já pensa em novas incursões acadêmicas. “Quero entrar num mestrado ou doutorado porque não pretendo parar de estudar”, afirma.

Estudo no pacote de benefícios da empresa

Aos 41 anos e bem empregada como gestora de serviços de imagem e laboratório da Unimed Porto Alegre, Cristiane Gonçalves se desdobra para concluir a terceira pós-graduação. Como as especializações anteriores - em Administração Hospitalar na Pucrs e Gestão de Empresas na FGV -, a pós em Gestão em Inteligência Competitiva que Cristiane começou em abril passado também é parcialmente financiada por seu empregador - a Unimed paga 50% do curso. “A busca do aprimoramento é uma obrigação do funcionário. Mas se pudermos juntar a nossa vontade com o apoio da empresa, fica mais fácil”, avalia Cristiane, que galgou degraus na empresa conforme estudava.  

“Neste mundo nada é de graça e faz sentido que as concessões da empresa exijam uma contrapartida”, afirma Orian Kubaski, vice-presidente de operações e finanças da ABRH-RS. Kubaski lembra que, ao entregar subsídio para a educação, por exemplo, a empresa terá um funcionário mais qualificado e o exigirá à altura de sua nova bagagem de conhecimento. “Vai-se esperar que o profissional devolva com competência e melhores resultados”, comenta. 

Para fazer jus ao benefício na Unimed Porto Alegre, há um pequeno rito a ser seguido. A gerente de recursos humanos da Unimed Porto Alegre, Estela Marcadella, explica que é preciso ser funcionário há pelo menos um ano, cursar pelo menos três disciplinas por semestre (no caso de graduações) e optar por um curso correlacionado ao ramo da Unimed, não necessariamente na área de saúde ou ao setor que o funcionário trabalha. “Um empregado pode requerer um curso na área do Direito, que não é a sua, mas que é útil para a empresa”, avisa. 

Hoje, 192 dos 930 funcionários se utilizam do benefício. “São destinados 2% da folha de pagamento da empresa para o programa, o que, neste ano, chegou a R$ 900 mil”, diz Estela. O funcionário deve fazer uma solicitação do curso ao seu gestor, que validará ou não o pedido. “É o gestor, que está mais próximo do colaborador, que vai dizer se este curso é importante”, lembra. O formato agrada o vice-presidente da ABRH-RS. “Se deixar a opção exclusivamente por conta do funcionário, ele pode optar por algum que nada tem a ver com o modelo de negócio da empresa”, comenta.

Fonte: Jornal do Comércio

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